Publicado por: Camila Santos em: Julho 5, 2009
Respeito hoje é quase um palavrão.
Daqueles que a gente levava um tapa na boca quando falava perto dos pais ou quando lavavam nossa boca com sabão.
Virou uma “coisa feia” que não podemos nem sequer pensar, quanto mais fazer ou exercer.
Antes, respeito era uma palavra bonita, que aprendíamos desde cedo em casa mesmo. Segundo a Wikipédia, Respeito é “o apreço por, ou o sentido do valor e excelência de, uma pessoa, qualidade pessoal, talento, ou a manifestação de uma qualidade pessoal ou talento. Em certos aspectos, o respeito manifesta-se como um tipo de ética ou princípio, tal como no conceito habitualmente ensinado de “[ter] respeito pelos outros” ou a Ética da reciprocidade.”
Simples como 2 + 2 = 4. FAÇA PELOS OUTROS AQUILO QUE VOCÊ GOSTARIA QUE FIZESSEM CONTIGO. Tão simples, não é? Pena que as pessoas esqueceram como funciona a contabilidade.
Estava assistindo uma dessas matérias sobre violência no trânsito e imprudência e um senhor, com seus 50 anos respondeu a repórter, que ele não esperava o sinal vermelho para atravessar a Avenida Presidente Vargas porque ” se os carros não respeitavam o sinal, então ele também não precisava respeitar”. Além de irreal, me pareceu idiota também, porque se ele for atropelado e morrer, vai atrapalhar o trânsito e a vida de todo mundo e ainda vai parar no Inferno por ser burro e egoísta.
Mas o pior foi cobrar um respeito que ele não tem mas acredita que devam ter com ele. Uma atitude individualista, egoísta e mesquinha que resulta numa bola de neve onde eu não faço, porque minha vizinha não faz, que por sua vez, não faz porque o Prefeito, o Governador, o Presidente ou o próprio Deus não fez.
A culpa do outro, a responsabilidade do outro, as obrigações do outro. Tudo fica nas costas do outro, menos na sua ou na minha e ainda nos achamos no direito de gritarmos a plenos pulmões: EU TENHO DIREITOS!!!!
Mas só os meus direitos importam, então eu faço um “gatonet”, estaciono meu carro no meio da calçada “só por um ou dois minutinhos”, dou a cervejinha do policial pra me livrar da multa e incorporo o “malandro carioca” pra garantir aquilo que acredito ser o meu direito sem me importar com os direitos dos que estão a minha volta. E esqueço que todos os outros estão pensando e fazendo as mesmas coisas e passando por cima de mim.
Respeito não é mais um princípio ético. É quase um sinônimo para otário.
A cultura do “esperto” assumiu uma proporção tal que é errado não ser, é errado seguir as regras, as leis escritas e apreendidas pela sociedade. Quando na verdade, é o “esperto” que se dá mal no final das contas. É ele que vai se ver preso entre favores e acertos, entre as definições de certo e errado.
O esperto acha que ganhar 2 segundos ao atravessar uma rua, ou não avisar sobre os R$ 0,50 do troco que recebeu a mais, o faz melhor que qualquer outro e por essa graduação, ele tem que ser recompensado, na maioria dos casos, pelo Estado. Então, a rua que ele mora tem que ser asfaltada, ou o posto de saúde que ele usa tem que ser reformado primeiro.
Infelizmente, os direitos de um não são maiores que os direitos dos outros. E enquanto essa teoria não for transformada em prática, não adianta gritar FORA SARNEY ou qualquer um dos políticos que nós elegemos, ou reclamar na fila do banco sobre o alto custo da carne ou do leite.
É o “esperto” que gera a corrupção, desde o alto escalão em Brasília até o policial militar que recebe R$ 2,00 a cada kombi pirata que passa por ele num cruzamento qualquer.
E o “esperto” está aí, lendo esse texto e aqui, escrevendo.
Num lugar onde todos são culpados, a única opção é começar do zero, corrigindo os erros e ensinando aos que vierem depois a Lei do Retorno.