Publicado por: Camila Santos em: Julho 30, 2009
Tem dias que começam meio cinza, nublado e sem graça. E então, o telefone toca, uma carta chega ou alguém bate na porta e tudo muda.
São dias como esse que me fazem sentar na varanda, olhando o dia passar, agradecendo os bons momentos e esperando pelos próximos
Publicado por: Camila Santos em: Julho 27, 2009
Que faculdade de Jornalismo não é nenhuma maravilha do século, todo mundo sabe. Que tem muita gente que entra sem ter a mínima noção do que está fazendo e sai com o canudo na mão se achando Cidadão Kane, todo mundo sabe.
O que muita gente não sabe é o que fazer com o diploma de Jornalismo, agora que o Ministro Gilmar Mendes disse que isso é coisa do passado.
Bem, não é segredo pra ninguém que eu larguei a faculdade na metade do caminho. O motivo que eu dei pra mim mesma era falta de grana. Mas a verdade é que me deprimia sentar pra ter aula sobre sujeito e predicado já na faculdade e ter aulas sobre a escalação do Fluminense em 72 ou ainda discutir sobre as propriedades de “minhoca na folha de taioba”. Me deprimia ver um bando de gente que tinha escolhido Jornalismo porque não tinha nada melhor pra fazer e ter professores que estavam mais interessados em suas tragédias pessoais que em formar profissionais.
Dia após dia, vi meus sonhos de uma redação cheia de fumaça com a sinfonia das máquinas de escrever ficarem mais e mais distantes (OK, eu deveria ter nascido há pelo menos 40 ano atrás pra desfrutar de toneladas de nicotina e café na redação de um jornal).
Dia após dia me perguntei o que diabos eu estava fazendo ali numa sala de aula vendo o tempo passar até que um belo dia, resolvi ficar em casa e ler Garcia Marquez. Foi a melhor coisa que fiz.
Fui quebrar um galho como assessora de imprensa prum grupo de amigos. Aprendi o trabalho na marra, quase na porrada. Conheci muita gente. Levei muita rasteira. Aprendi a escrever, a usar minha diplomacia de modo prático. Aprendi muito mais que em 3 longos e arrastados anos na faculdade.
O tempo passou, montei e desmontei alguns blogs. Continuei a ler García Marquez às três da manhã. E escrevi, escrevi e escrevi. De projeto para Captação de recursos a monografia e contos para minha pequena. Entrei em listas de discussão, bati boca pra defender meus pontos de vista, chorei na frente do pc ao escrever um texto sobre a perda de um amigo. Li, fui lida. Transmiti do meu modo, informação e recebi informação de volta.
Segundo a Wikipédia, Jornalismo “é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais”. Sendo assim, posso sim, dizer que sou uma Jornalista mesmo sem o canudo.
Sem começar o bate boca, não me considero mais ou menos qualificada que ninguém com ou sem diploma. Produzo conteúdo eu mesma. Divulgo informação através dos meus meios. Uso a mídia da forma que julgo melhor.
Cansei de receber tudo pronto através da televisão. Cansei de esperar a opnião dos outros, as preguntas e respostas dos outros.
E não estou sozinha. Tem uma geração inteira fazendo isso sem a “qualificação necessária”. E eles vão continuar fazendo mesmo que tenham se diplomado como Bacharel em Física Quântica.
Não é um diploma que faz de você ou de mim aptos a compartilhar opniões. E não é a ausência de diagramação ou de um lead perfeito que impede você ou qualquer outra pessoa de ler, comentar e repassar informação.
O que eu faço com meu diploma? Estou pensando em cursar Produção Cultural, e você?
Publicado por: Camila Santos em: Julho 15, 2009
A única coisa que me incomoda em qualquer lugar ou situação é a maldita Homofobia. Homofobia em letra maiúscula com ar de instituição social e vital para o desenvolvimento do país.
Homofobia é preconceito puro e simples, sem nenhuma desculpa ou lógica. O preconceito que o negro sente do branco, que o hetero sente do gay, que a mulher sente de homem. O preconceito tão idiota e irracional que ao ser olhado de longe vira piada de humor negro.
Sou mulher, mulata. Sou sustentada pelo namorido e gosto de meninos e meninas. Tenho todos os precedentes básicos para me sentir “injustiçada pela sociedade” e culpá-la pelos “erros do passado, quando minha tataravó veio da África como escrava”. Mas não levanto bandeira que sou melhor que você porque sou diferente.
Homofobia é não aceitar que o outro possa ser, pensar, agir ou querer diferente de você.
É ignorar as diferenças e transformar as suas verdades em dogmas.
Todos temos direito a nossas opiniões. Elas são frutos da nossa criação, das nossas experiências pessoais e das pessoas que estão ao nosso redor. Essa opiniões fazem parte das nossas características e todas são bem vindas, desde que elas não menosprezem o outro. Isso é Respeito com o outro.
Algo simples que até certo tempo atrás era aprendido em casa: “você respeita para ser respeitado”.
Homofobia é crime. O politicamente correto também.
A mesma Homofobia com um nome diferente, como reparação de erros tão antigos como a humanidade. No final das contas, uma vingança e a afirmação velada “que sou melhor que você”. Porque sou rico, sou pobre, sou branco, negro, asiático, tenho filhos, não os quero, sou urbana, moro na roça, respiro, ando, falo, vivo.
Não sou melhor que você. Não sou pior que você. Sou igual a qualquer outra pessoa que anda por aí, mesmo com todas as diferenças. Aliás, sou igual a você.
É tão diícil aceitar isso?